OLÁ, ASSINE O JC E TENHA ACESSO LIVRE A TODAS AS NOTÍCIAS DO JORNAL.

JÁ SOU ASSINANTE

Entre com seus dados
e boa leitura!

Digite seu E-MAIL, CPF ou CNPJ e você receberá o passo a passo para refazer sua senha através do e-mail cadastrado:


QUERO ASSINAR!

Cadastre-se e veja todas as
vantagens de assinar o JC!


Literatura

- Publicada em 13 de Maio de 2015

Biografia reúne trajetória da Legião Urbana

Dado Villa-Lobos reúne trajetória da Legião Urbana em livro


PABLO KOURY/DIVULGAÇÃO/JC

Dado Villa-Lobos pensava em estudar Sociologia na França, onde seu pai estava morando, quando Renato Russo e Marcelo Bonfá o convidaram para integrar a Legião Urbana. É a história que vem a seguir, pela primeira vez relatada do ponto de vista de quem esteve nos bastidores, que o guitarrista conta em Memórias de um legionário (Editora Mauad X, 256 págs., R$ 49,90). O músico planeja percorrer o circuito de feiras de livros no segundo semestre, com sessão de autógrafos e show em formato de trio.

O lançamento do livro ocorre três décadas depois do lançamento do álbum de estreia do grupo brasiliense e 19 anos após o falecimento do vocalista. É justamente o fatídico episódio que abre o relato de Dado, que contou com ajuda de dois companheiros para colocar no papel suas lembranças. Conforme apresentado na própria introdução da obra, foi por sugestão do historiador Felipe Demier, em meio a uma partida de futebol, que o registro tomou forma. Além dos depoimentos do ex-Legião Urbana, o trabalho reúne esforços do próprio Felipe e ainda de Rômulo Mattos, também historiador.

"Agora temos, pelo menos, o registro de alguém de dentro", afirma Dado, que teve como objetivo contar a sua trajetória e não a intenção de escrever uma história oficial do grupo - então o mais popular do Brasil. Até por isso, Memórias de um legionário envolve citações a outras publicações referente à banda, a Renato Russo, à cena do rock brasiliense ou sobre o rock brasileiro dos anos 1980. Nomes como Dinho Ouro Preto e Herbert Vianna não aparecem à toa.

Nascido em Bruxelas, em 1965, o autor afirma não se arrepender de nada. "O que tinha de ser feito... foi feito", constata. "E, ao abrir essa 'gaveta', foi possível perceber realmente o que aconteceu, quem eu era e quem eu sou hoje. De certa forma, foi terapêutico", completa o músico, que, atualmente, comanda o programa Estúdio do Dado na televisão a cabo.

Nas páginas do livro, ele ainda revela aspectos da dinâmica interna dos integrantes do grupo e algumas curiosidades. Por um lado, estão no texto casos como o episódio em que a Legião Urbana se apresentou pela primeira vez em São Paulo. Os brasilienses tinham dois shows marcados, mas a ideia era fugir durante a madrugada para uma apresentação no Rio de Janeiro na mesma data do segundo espetáculo. Por outro, Dado expõe que não havia muita cumplicidade entre os integrantes - e destaca a figura de Renato Russo; no início, por sua dedicação; no final, pela instabilidade.

Filho de pai diplomata, o guitarrista foi convidado a juntar-se ao vocalista (e então baixista) e ao baterista ainda em 1983. Dois anos depois, eles lançavam Legião urbana, com os sucessos Será e Geração Coca-Cola. "Registrar o primeiro disco era o sonho de qualquer artista, e foi algo que mexeu conosco e com tudo. Fez nos mudarmos para o Rio de Janeiro", exemplifica ele, que não descarta "fazer uma festa" com Bonfá em referência à comemoração dos 30 anos do disco. Caso ocorra, a celebração ainda poderá ter respaldo judicial: no ano passado, a dupla venceu contra o filho de Renato Russo uma disputa sobre os direitos para uso da marca Legião Urbana.

Problemas à parte, Dado acredita que um dos segredos para a relevância do grupo está na qualidade do material gravado. "Ao longo do tempo, o Renato falava 'vamos fazer discos-catálogo'. Ele queria que a música ficasse para sempre. Queria marcar um tempo, mas fazer álbuns atemporais - não em termos de sonoridade, e sim de canções e conteúdo", relembra. O plano deu certo: apesar do fim das atividades em 1996, os ?discos ainda vendem, anualmente, centenas de milhares de cópias.

E mesmo com o distanciamento que o tempo proporciona, o legionário não consegue escolher um álbum só. "Cada um tem uma história e traz o retrato de um momento. Momento do grupo, do País, da cidade, das pessoas, das nossas vidas", enfatiza ele, concluindo: "É difícil escolher um filho preferido...".